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27/08/2005 Cruzeiro
Cruzeiro no Nilo
O Egipto foi descrito por Heródoto, o antigo historiador grego, como sendo "uma dádiva do Nilo". Ainda hoje, a sua vida rural está dependente das férteis margens do segundo maior rio do mundo.
Há alguns anos atrás, visitei este país de África e regressei encantada com as suas gentes, paisagens e monumentos, pelo que não hesito em aconselhar que não deixem de conhecer a magia deste lindo lugar.
Como porta de entrada temos o Cairo, uma cidade imensa e cheia de pó proveniente do deserto, mas que, no entanto, é extremamente exótica para quem quizer penetrar nela. Caso o pretenda fazer, sugiro uma visita ao Bazar Khan Al Khalili, um espaço imenso onde são todos muito amáveis e poderá adquirir uma panóplia de lembranças para presentear os amigos.
Nos arredores da capital fica a necrópole de Gizeh, o conjunto funerário mais famoso da antiguidade. O panorama das três pirâmides Keops, Kefren e Mikerinos é majestoso. Um pouco mais adiante, a imponente Esfinge completa esta imagem mítica do Egipto.
A pirâmide de degraus do faraó Djozer, construída por Imhotep também se encontra relativamente perto do Cairo, mais propriamente na zona de Saqqara.
Ainda no Cairo, pode visitar a Cidadela de Saladino dentro da qual se encontra a espectacular Mesquita de Alabastro.
A não perder o famoso Museu Egípcio com peças de rara beleza, a sala das múmias e o impressionante e fabuloso tesouro do jovem faraó Tutankhamon.
A partir do Cairo, voa-se durante meia hora até Luxor, antiga cidade de Tebas e local de partida para o cruzeiro ao longo do Nilo, direcção sul. Mas antes disso, devemos visitar o magnífico Templo de Luxor, dedicado ao deus Amon. Resta apenas um obelisco junto aos pilones de entrada. O outro, encontra-se em Paris na Place Concorde.
Próximo ao Templo de Luxor, fica o Templo de Karnak com a sua Avenida das Esfinges no exterior. Transposta a entrada quedámo-nos maravilhados perante a grandiosidade da sua Sala Hipóstila de 134 colunas.
Ambos os templos constituem um exemplo majestoso das construções faraónicas, imponentes pelas suas dimensões e pela monumentalidade da sua concepção. Os seus relevos, colunas e capitéis impressionam pela sua grandeza e pela beleza da sua execução.
Atravessando o rio, pode-se visitar a necrópole de Tebas, também conhecida por Vale dos Reis, com os seus mais de 60 túmulos monumentais, profundamente escavados no solo. Belas pinturas e relevos decoram os seus interiores e lembram nomes cheios de história como é o caso de Tutankhamon.
O templo da raínha Hatshepsut também é uma obra admirável e recorda-nos os seus amores com o arquitecto que procedeu à sua construção. Um pouco adiante, os Colossos de Memnon que, com os seus 18 m de altura, guardavam o templo funerário de Amenofis III.
A navegação continua até Esna onde, depois de atravessar a eclusa, se prossegue rumo ao Templo de Edfu. O percurso permite-nos contemplar a vida nas margens do rio e ajuda-nos a entender aquela íntima relação entre o povo e o Nilo que marcou todos os momentos da sua história.
Uma visita que jamais esquecerei foi, precisamente, o Templo de Edfu que está extremamente bem conservado talvez por ser dos mais recentes, mais concretamente da era Ptolomaica, cujo início remonta a pouco mais de 300 A.C. e termina com Cleópatra no ano 30 A.C. Na antiguidade, chegavam pessoas de todo o Egipto para adorar o deus Hórus representado por um falcão com a coroa faraónica. Todos os relevos e inscriçõs do templo têem, principalmente, um significado místico e religioso.
Seguindo a viagem pelo rio, vamos parar em Kom Ombo onde visitámos, sobranceiro ao Nilo, o templo dedicado a Hórus e a Sobek, o deus crocodilo. Neste lugar, podemos apreciar gravuras de instrumentos cirúrgicos alguns dos quais muito semelhantes aos que se fabricam na actualidade.
Um pouco mais abaixo, existe a possibilidade de desembarcar do navio e dar um passeio em falua, partindo para uma panorâmica do mausoléu de Agha Khan, Templo de Satet na ilha Elefantina e jardim botânico.
Não deverá passar em branco uma visita ao Templo de Philae e ao Obelisco inacabado que ainda se encontra na pedreira de granito, local de origem de muitas realizações arquitectónicas para todo o Egipto.
Será importante retirar algum tempo para uma visita de carro ate Abu Sinbel com os seus dois templos dedicados a Ramsés II e sua esposa predilecta, a raínha Neferteri. Como todos sabem, este é o local que, a expensas da Unesco e de alguns países amigos, foi transladado pedra a pedra a fim de não ficar mergulhado nas águas da barragem de Aswan cuja construção estava em perspectiva.
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