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2005/10/30 Lalibela
Jóias do mundo
Lalibela
Na Etiópia, a 640 Km ao norte da capital Addis Abeba e a 1.500 m de altitude, uma pequena localidade chamada Lalibela permanece viva desde há sete séculos atrás, perante a indiferença de grande parte do resto do mundo. Nada a distingue de outras aldeias da Etiópia, de outros lugares da África negra. As mesmas ruas de terra vermelha, a mesma pobreza.
Nada justifica que seja meca para viajantes dos cinco continentes e no entanto Lalibela é uma maravilha de pedra e de fé, classificada pela UNESCO como património da humanidade.
Onze igrejas e um mosteiro, para além de vários sepulcros e outros lugares sagrados formam uma cidade labiríntica escavada abaixo do solo.
Cidade santa para os cristãos ortodoxos etíopes, cada um destes templos foi talhado na rocha da montanha como se de uma escultura se tratásse. S. Jorge é o templo principal e apresenta-se como um monolito em forma de cruz grega.
Os diversos monumentos estão ligados entre si por caminhos deste tipo
Por volta do séc. XVI, o primeiro europeu que visitou este lugar foi o Padre Francisco Álvares, capelão de uma embaixada portuguesa, que afirmava no seu diário: “Não quero escrever mais àcerca deste local porque receio que ninguém me vai acreditar e o que escrevi já é motivo suficiente para me chamarem mentiroso”.
(pormenor do interior)
Realmente, Lalibela é única, desconcertante, inexplicável e enigmática. Quem a erigiu? No séc. XII, o rei Lalibela apresentou-se como herdeiro da dinastía Salomónica, estirpe dinástica criada por Menelik, filho do rei Salomão e da raínha do Sabá. Sob a sua autoridade, foi ordenada a execução de vários templos escavados na rocha vulcânica a muitos metros de profundidade a partir do solo.
A explicação profana assevera que o rei Lalibela mandou erigir os templos para legitimar o seu governo e esmaltar a sua capital com todo o brilho e glória. Por outro lado, a lenda é bem mais sedutora: Lalibela, depois de mandar escavar as igrejas na rocha, imbuiu-se da maior santidade e humildade, renunciou ao poder e entregou-se à adoração e contemplação da divindade.
Apesar das várias explicações, ainda hoje milhares de etíopes acreditam numa origem milagrosa deste espaço e acorrem aquí para celebrar a Epifania etíope a 19 de Janeiro.
É o festival mais importante da sua religião, protagonizado por sacerdotes e monges que se paramentam com suas túnicas coloridas, conduzem os rituais e culminam todos os festejos com um baptismo colectivo no rio próximo.
A espectacularidade desta Jerusalém africana não se limita a esses dias festivos. Um viajante que cruze o umbral de qualquer dos templos pode admirar a beleza das bíblias, escutar os cânticos litúrgicos e sentir-se retroceder no tempo. O mobiliário é escasso, a luz mortiça e os sacerdotes surgem da penumbra para dar a sua benção, apresentando relíquias sagradas que seguram com toda a religiosidade. Estamos na África mais desconhecida e ignorada, estamos em Lalibela, a Jerusalém negra.
O GRANDE MISTÉRIO DA BÍBLIA
Não me vou alongar no tema porque daria assunto para outro blog, mas as altas entidades religiosas da Etiópia dizem-se detentoras do objecto mais importante para os cristãos, a Arca da Aliança contendo as tábuas com os dez mandamentos que Deus entregou a Moisés no Monte Sinai. Apenas o seu único guardião a pode ver e só ele, à hora da morte, nomeia o seu sucessor.
Ilustrações muito antigas de Menelik viajando com a Arca da Aliança, rumo à Etiópia
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